quarta-feira, 12 de maio de 2010

Não tinha ninguém, e ninguém o tinha.

Entrou no carro e começou a dirigir. Não sabia realmente onde queria ir, na verdade, não tinha aonde ir. O velocímetro já marcava 140km/h e as coisas começavam a passar cada vez mais rápido e menos nítidas diante dos seus olhos. Mas isso não o impedia de acelerar cada vez mais. O vento batendo em seu rosto a adrenalina passando por todo o seu corpo, o fazia sentir vivo, como já não se sentia por um bom tempo. Já não tinha mais medo. Mas porque teria? Não  tinha mais nada. A vida se encarregara de lhe tirar tudo! Sua família, o amor da sua vida, seu trabalho e amigos, nada o restara, somente o seu carro, este que estava dirigindo.
Sua vida inteira passava em sua mente nesse momento. Perguntava-se o que teria feito de errado para isso acontecer justo com ele. Estava inconformado, pois  não conseguiu achar respostas. E isso doía.
Ao horizonte viu uma ponte.  Tomou fôlego e acelerou o máximo que pode, atirou-se contra ela. Durante a queda pediu perdão, e sentiu-se aliviado, pois sabia que iria matar junto de si todas as suas angustias! O carro caiu e explodiu, seu corpo foi carbonizado como todo o resto.  As autoridades foram chamadas. Sem documentos e ninguém para sentir a  sua falta foi enterrado como indigente. Já não era ninguém, pois ninguém tinha e como o tal foi enterrado.


2 comentários:

bethssm disse...

Meu primeiro pensamento após ler: cruzes (tô nude!) A ideia é bacana, me lembra uma conhecida. Ela tem esses "impulsos" vez ou outra. Acho que todo mundo tem, sei lá. Essa coisa de ser enterrado como indigente.. Ain, isso é forte. Deixa a gente com dor na alma.

B disse...

Tem muito a ver com muitos dos meus impulsos, passageiros. Mas confesso que o final dá uma dor na alma, como diz a Betha...

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